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Serviterms: nova linguagem para o comércio internacional pode ampliar a presença da engenharia brasileira no mundo

Iniciativa da ALES busca dar mais clareza a impostos, documentação e responsabilidades em contratos internacionais de serviços. Para empresas de engenharia, o debate chega em um momento em que o Brasil já exporta US$ 51,83 bilhões em serviços por ano.

Por Engenheiro Edson Gonçalves Martins Engenharia e Negócios
Reunião online da ALES Experiences em 7 de outubro de 2026 durante o lançamento internacional dos Serviterms
Registro da reunião online realizada em 7 de outubro de 2026 no contexto do lançamento internacional dos ALES Serviterms. O Engenharia Podcast acompanhou o encontro e o debate sobre a nova iniciativa para o comércio internacional de serviços.

O que você precisa saber

  • A Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios, ALES, apresentou internacionalmente em 7 de outubro de 2026 os primeiros ALES Serviterms.
  • A proposta busca aumentar a clareza e a previsibilidade na contratação internacional de serviços, especialmente em temas como impostos, documentação e responsabilidades das partes.
  • A Assembleia Anual da ALES, realizada na Costa Rica entre 1º e 4 de setembro de 2026, aprovou a implementação da iniciativa.
  • Segundo o secretário-geral da ALES, os primeiros sete Serviterms foram aprovados pela entidade.
  • O Brasil exportou US$ 51,83 bilhões em serviços em 2025. Desse total, US$ 33,7 bilhões, ou 65,1%, correspondem a serviços entregáveis por meios digitais.
  • O impacto dos Serviterms dependerá da adoção pelas empresas, instituições e mercados. A iniciativa ainda está no início de sua trajetória.

Durante décadas, quando uma empresa brasileira pensava em exportar, a imagem mais comum era física: mercadorias, contêineres, navios, portos, caminhões e fronteiras.

Mas uma parcela crescente da economia mundial atravessa países sem ocupar espaço em um contêiner.

Projetos, software, consultoria, modelagem, cálculos, dados, propriedade intelectual e conhecimento especializado podem ser produzidos em um país e entregues a milhares de quilômetros de distância.

É nesse ambiente que surge uma pergunta particularmente relevante para a engenharia brasileira:

O Brasil pode transformar conhecimento de engenharia em uma exportação global cada vez mais relevante?

O lançamento internacional dos ALES Serviterms, realizado em 7 de outubro de 2026, coloca uma nova peça nessa discussão.

A iniciativa foi desenvolvida dentro da Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios, ALES, e busca criar maior clareza nas negociações entre empresas que compram e vendem serviços internacionalmente.

O que são os Serviterms?

Os Serviterms são uma iniciativa voltada a organizar aspectos que costumam gerar dúvidas em contratos internacionais de serviços.

Segundo a Câmara de Comércio de Santiago, a proposta busca dar maior transparência e segurança à redação desses contratos, esclarecendo três pontos centrais: impostos envolvidos, documentação necessária e responsabilidades das partes.

O problema é fácil de entender.

Uma empresa brasileira pode negociar um projeto por determinado valor com um cliente localizado em outro país.

Mas o preço negociado não responde sozinho a todas as perguntas.

Existem retenções tributárias no país do comprador? Quem assume economicamente esse custo? Quais documentos precisam ser apresentados? Existem obrigações adicionais? Quanto chegará efetivamente ao prestador? Qual responsabilidade pertence ao contratante e qual pertence ao fornecedor?

Essas questões podem alterar a margem, o fluxo financeiro e até a viabilidade de uma operação.

O ponto central

Os Serviterms não procuram definir quanto um serviço deve custar. A proposta é ajudar comprador e fornecedor a deixar mais claras, desde a negociação, determinadas responsabilidades que podem alterar o resultado econômico e operacional do contrato.

A ideia começou em 2023 e ganhou forma dentro da ALES

A origem da iniciativa também possui participação brasileira.

Segundo Javier Peña Capobianco, secretário-geral da ALES, a ideia foi apresentada por Lisandro Vieira durante a Assembleia Geral da associação em 2023.

Em 2025, durante um encontro realizado no Brasil, Joaquín Piña, da Câmara de Comércio de Santiago, passou a trabalhar no desenvolvimento da proposta.

A partir daí, o projeto avançou coletivamente dentro da ALES.

Na Assembleia Anual realizada na Costa Rica entre 1º e 4 de setembro de 2026, a entidade aprovou a implementação dos Serviterms.

Publicações de Javier Peña Capobianco registram que foram aprovados os primeiros sete ALES Serviterms, apresentados internacionalmente em outubro.

A ALES informa atualmente reunir 24 instituições públicas e privadas de 16 países, tendo como missão aproximar a América Latina e o Caribe do mercado global de serviços.

Por que isso pode ser importante para a engenharia brasileira?

Porque uma parcela importante da engenharia contemporânea é composta por conhecimento que pode ser contratado e entregue como serviço.

Projetos, cálculos, modelagens, simulações, análises, programação, planejamento, consultoria e documentação técnica podem integrar relações comerciais internacionais.

Isso não significa que qualquer serviço de engenharia possa simplesmente ser vendido em qualquer país sem restrições.

Licenciamento profissional, reconhecimento de habilitações, normas técnicas, legislação local, responsabilidade profissional, requisitos contratuais e regras tributárias continuam dependendo da natureza do trabalho e da jurisdição envolvida.

Mas em atividades nas quais a prestação internacional é juridicamente e tecnicamente possível, uma linguagem comercial mais clara pode reduzir uma barreira importante: a incerteza sobre a operação.

O Brasil já exporta US$ 51,83 bilhões em serviços

O contexto econômico ajuda a dimensionar essa oportunidade.

Segundo o Painel do Comércio Exterior Brasileiro de Serviços, mantido pela Secretaria de Comércio Exterior e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil exportou US$ 51,83 bilhões em serviços em 2025.

Foi o maior valor apresentado na série iniciada em 1995.

Naquele primeiro ano da série, as exportações estavam em aproximadamente US$ 4,6 bilhões.

Em três décadas, portanto, o valor cresceu mais de dez vezes.

US$ 51,83 bi Exportações brasileiras de serviços em 2025.
US$ 33,7 bi Exportações brasileiras de serviços entregáveis digitalmente em 2025.
65,1% Participação dos serviços entregáveis digitalmente nas exportações brasileiras de serviços em 2025.
US$ 8,48 tri Valor das exportações mundiais de serviços em 2024, segundo dados OCDE e OMC reunidos pelo MDIC.

A engenharia está dentro da economia dos serviços digitais

Talvez o dado mais importante para a engenharia não seja apenas o volume exportado.

É a forma como esses serviços conseguem chegar ao cliente.

Em 2025, 65,1% das exportações brasileiras de serviços foram realizadas por meios digitais, totalizando US$ 33,7 bilhões.

O painel do MDIC classifica como entregáveis digitalmente atividades que podem ser transmitidas remotamente por redes computacionais e inclui, entre as categorias consideradas, outros serviços de negócio, inclusive arquitetura e engenharia.

Essa mudança altera a geografia do mercado.

Um projeto pode ser desenvolvido em Santa Catarina e utilizado por uma empresa nos Estados Unidos.

Uma análise pode ser produzida em São Paulo e apoiar uma operação industrial na Europa.

Uma equipe brasileira pode trabalhar em modelagem, automação, dados ou consultoria para uma organização localizada em outro continente.

A próxima exportação brasileira de engenharia pode não sair de um porto. Pode sair de um computador.

Quais serviços de engenharia podem entrar nessa discussão?

O universo é amplo e depende das exigências regulatórias e profissionais de cada atividade e mercado.

Entre as áreas potencialmente relacionadas ao comércio internacional de serviços técnicos estão:

  • modelagem BIM e coordenação digital de projetos;
  • desenho técnico, CAD e engenharia 3D;
  • simulação computacional e CAE;
  • engenharia de processos e produtividade;
  • planejamento e gestão de projetos;
  • automação industrial e integração de sistemas;
  • programação e software aplicado à engenharia;
  • análise de dados industriais;
  • digital twins;
  • consultoria técnica especializada;
  • estudos energéticos e de eficiência;
  • documentação e análise técnica;
  • inteligência artificial aplicada a processos de engenharia.

O problema não termina quando a venda é fechada

Para entender a relevância potencial dos Serviterms, imagine uma pequena empresa brasileira de engenharia negociando um serviço de US$ 50 mil com um cliente estrangeiro.

O exemplo é hipotético.

As partes concordam com o valor e acreditam que a negociação está resolvida.

Depois surgem questões tributárias ou documentais que não estavam suficientemente claras.

Uma retenção realizada no país do contratante pode reduzir o valor líquido recebido. Um documento não previsto pode atrasar o pagamento. Uma responsabilidade interpretada de maneira diferente pode gerar conflito entre as empresas.

Grandes organizações costumam possuir estruturas jurídicas, fiscais e comerciais preparadas para analisar essas situações.

Uma empresa com cinco, dez ou vinte engenheiros pode não ter a mesma estrutura.

Por isso, padronização e clareza podem ter impacto proporcionalmente maior para pequenas e médias empresas que desejam começar a atuar internacionalmente.

Serviterms são os Incoterms dos serviços?

A comparação ajuda a entender a lógica, mas exige cuidado.

Os Incoterms são regras publicadas pela International Chamber of Commerce, ICC, originalmente codificadas em 1936.

A edição Incoterms 2020 possui 11 regras voltadas a práticas comerciais em contratos de compra e venda de bens.

Elas ajudam comprador e vendedor a compreender tarefas, custos e riscos associados à entrega das mercadorias.

Os Serviterms partem de uma lógica semelhante de criação de linguagem comum, mas são uma iniciativa muito mais recente e voltada a outro universo: o comércio internacional de serviços.

Aspecto Incoterms Serviterms
Origem International Chamber of Commerce Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios
Primeira publicação / lançamento 1936 2026, após desenvolvimento iniciado nos anos anteriores
Objeto principal Compra e venda de bens Comércio internacional de serviços
Foco Tarefas, custos e riscos relacionados à entrega de bens Clareza sobre questões como cargas tributárias, documentação e responsabilidades nas operações de serviços
Maturidade Padrão global consolidado ao longo de décadas Iniciativa em fase inicial de adoção
Cuidado com a comparação

Não é correto tratar hoje os Serviterms como um equivalente já consolidado dos Incoterms. A comparação ajuda a explicar a ideia de linguagem comum, mas o alcance, a adoção e a governança internacional dos Serviterms ainda precisarão ser construídos.

O que os Serviterms não substituem

Outra distinção é essencial.

Os Serviterms não eliminam a necessidade de analisar:

  • legislação tributária de cada país;
  • acordos para evitar dupla tributação;
  • contratos;
  • regras profissionais e técnicas;
  • habilitação para exercício profissional;
  • obrigações fiscais;
  • assessoria jurídica e contábil;
  • responsabilidade técnica.

Lisandro Vieira também ressalta publicamente que a proposta não pretende substituir leis, tratados ou especialistas.

A função é criar uma linguagem comum que ajude as partes a estruturar melhor a negociação.

Por que isso pode proteger a margem de uma empresa?

Internacionalização não depende apenas de conseguir vender.

Uma empresa precisa saber quanto efetivamente receberá depois de impostos, retenções, taxas, obrigações e custos associados à operação.

Uma proposta internacional mal estruturada pode parecer lucrativa na planilha e apresentar resultado muito diferente depois da contratação.

Quanto maior a previsibilidade antes da assinatura, maior a capacidade de formar preço com conhecimento dos custos envolvidos.

Nesse sentido, os Serviterms podem ser analisados não apenas como ferramenta contratual, mas também como uma discussão sobre competitividade e formação de preço.

A América Latina está tentando propor uma solução global

Existe uma dimensão estratégica nessa história.

A iniciativa não chegou à América Latina a partir de um padrão desenvolvido nos Estados Unidos ou na Europa.

Ela nasceu dentro da própria região.

A ALES informa ser atualmente formada por 24 instituições públicas e privadas de 16 países da América Latina e do Caribe.

Na atual diretoria, Lisandro Vieira ocupa uma das vice-presidências representando a Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB, e a Associação Catarinense de Tecnologia, ACATE.

Isso dá ao Brasil uma participação relevante dentro da construção da iniciativa.

A América Latina não está apenas acompanhando uma transformação do comércio internacional de serviços. Neste caso, está tentando propor uma ferramenta para organizá-la.

O mercado mundial de serviços já movimenta trilhões

A discussão acontece dentro de uma economia gigantesca.

Segundo o MDIC, com base em dados OCDE e OMC, as exportações mundiais de serviços atingiram aproximadamente US$ 8,48 trilhões em 2024.

Em 2005, eram US$ 2,7 trilhões.

A participação dos serviços no total mundial de exportações de bens e serviços passou de 20,8% em 2005 para 27,6% em 2024.

No Brasil, os serviços representavam 12,5% das exportações combinadas de bens e serviços em 2024.

Esses números ajudam a mostrar que a economia global está cada vez menos limitada ao transporte de produtos físicos.

A internacionalização também chegou ao acervo técnico dos engenheiros

Existe outra mudança importante acontecendo dentro da profissão.

Em fevereiro de 2025, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia publicou a Resolução nº 1.147/2025.

A norma fixa critérios e procedimentos para o registro de ART correspondente a obra, serviço, cargo ou função desenvolvida no exterior.

Profissionais registrados no Crea que atendam aos requisitos previstos podem requerer a inclusão dessas atividades em seu acervo técnico-profissional.

É importante não misturar as duas coisas.

A resolução do Confea trata do reconhecimento e registro de atividade profissional.

Os Serviterms tratam da organização de determinados aspectos comerciais das operações internacionais de serviços.

São dimensões diferentes, mas que fazem parte de uma mesma transformação: a engenharia brasileira operando além das fronteiras nacionais.

De prestador local para fornecedor global

Talvez a maior transformação não esteja em um documento.

Está na forma como empresas de engenharia definem o próprio mercado.

Durante muito tempo, a geografia determinou grande parte da área comercial de um escritório.

Primeiro a cidade.

Depois o estado.

Depois o Brasil.

Quando o principal ativo é conhecimento digitalizável, essa lógica começa a mudar.

O mercado potencial de um projeto, uma análise, uma simulação ou uma consultoria pode ser internacional desde o início.

Mas uma empresa não se internacionaliza apenas por possuir internet e bons engenheiros.

Ela precisa aprender a vender, contratar, formar preço, receber, documentar, comunicar, administrar riscos e compreender as regras do mercado para o qual está entrando.

O que já sabemos e o que ainda precisa ser comprovado

Uma cobertura responsável precisa separar lançamento de consolidação.

Já está confirmado que a ALES aprovou a iniciativa, que o objetivo envolve maior clareza sobre tributação, documentação e responsabilidades e que os primeiros sete Serviterms chegaram à etapa de apresentação internacional.

O que ainda não sabemos é o tamanho da adoção.

Será necessário acompanhar quantas empresas utilizarão os termos, quais instituições irão recomendá-los, como serão incorporados aos contratos, quais adaptações poderão surgir e até que ponto empresas de fora da América Latina passarão a utilizar a metodologia.

Até o fechamento desta matéria, o Engenharia Podcast também não encontrou em fonte institucional pública aberta uma página consolidada apresentando a nomenclatura e a redação integral de cada um dos sete Serviterms.

Por esse motivo, esta reportagem não atribui nomes ou regras específicas a cada um deles sem documentação verificável.

Critério editorial

Esta matéria diferencia fatos confirmados de análise de impacto. A existência e os objetivos da iniciativa são documentados. O impacto futuro sobre a engenharia brasileira dependerá de adoção, regulamentação aplicável e utilização prática pelas empresas.

Engenheiro Edson Gonçalves Martins, CEO do Engenharia Podcast
Visão do Engenharia Podcast

O mercado de uma empresa de engenharia pode ser maior do que sua localização

Engenheiro Edson Gonçalves Martins
Engenheiro de Produção e CEO do Engenharia Podcast

A engenharia sempre foi uma atividade internacional. Grandes projetos, tecnologias, normas e cadeias industriais atravessam fronteiras há décadas.

A mudança agora é que empresas muito menores também podem acessar o mercado global quando conseguem transformar conhecimento técnico em um serviço exportável.

Tecnologia resolve parte da distância, mas não resolve sozinha contratos, impostos, responsabilidades, precificação e relacionamento comercial.

É nesse espaço que iniciativas como os Serviterms merecem atenção.

Se conseguirem tornar parte desse processo mais previsível, podem contribuir para reduzir uma das barreiras entre empresas brasileiras de engenharia e compradores internacionais.

O Brasil pode exportar engenharia para o mundo?

A resposta já não é apenas teórica.

Empresas brasileiras já participam de projetos internacionais. Serviços técnicos já atravessam fronteiras. Mais de US$ 33 bilhões das exportações brasileiras de serviços já pertencem ao universo de atividades entregáveis digitalmente.

A pergunta agora é como aumentar essa participação.

Os Serviterms não resolvem sozinhos esse desafio.

Mas colocam sobre a mesa uma questão fundamental: para exportar conhecimento em escala, não basta possuir conhecimento.

É necessário construir uma infraestrutura comercial que permita transformar competência técnica em contratos sustentáveis.

Durante décadas, o Brasil construiu sua posição internacional exportando aquilo que produz.

A próxima fronteira é ampliar a capacidade de exportar aquilo que sabe fazer.

E nesse mercado, a engenharia brasileira tem muito a oferecer.

A nova engenharia já começou.

Perguntas frequentes sobre Serviterms e engenharia

O que são os ALES Serviterms?

São uma iniciativa da Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios voltada a aumentar clareza e previsibilidade no comércio internacional de serviços, especialmente em questões relacionadas a tributação, documentação e responsabilidades das partes.

Quantos Serviterms foram aprovados inicialmente?

Segundo publicações do secretário-geral da ALES, Javier Peña Capobianco, os primeiros sete ALES Serviterms foram aprovados pela Assembleia Geral realizada na Costa Rica em setembro de 2026.

Os Serviterms são iguais aos Incoterms?

Não. Os Incoterms são regras consolidadas da International Chamber of Commerce para contratos de compra e venda de bens. Os Serviterms são uma iniciativa recente voltada ao comércio internacional de serviços. A comparação ajuda a entender a ideia de uma linguagem comum, mas os dois instrumentos possuem natureza, história e nível de adoção diferentes.

Serviços de engenharia podem ser exportados digitalmente?

Diversas atividades podem ser desenvolvidas no Brasil e entregues remotamente, como modelagem, simulações, automação, software, análise de dados e consultoria. A possibilidade concreta depende da natureza do serviço e das exigências legais, profissionais e técnicas do país envolvido.

Os Serviterms substituem contratos ou assessoria jurídica?

Não. Eles não substituem legislação, tratados internacionais, contratos, regras profissionais, assessoria jurídica, contábil ou tributária. A proposta é contribuir para uma linguagem mais clara entre as partes.

Quanto o Brasil exporta em serviços?

Segundo o painel da Secretaria de Comércio Exterior e do MDIC, o Brasil exportou US$ 51,83 bilhões em serviços em 2025. Desse total, US$ 33,7 bilhões correspondem a serviços entregáveis por meios digitais.

Fontes e referências

1. Cámara de Comercio de Santiago, CCS. Informações sobre a Assembleia Anual da ALES realizada em setembro de 2026 e aprovação da implementação dos Serviterms. Consultar fonte oficial.

2. Asociación Latinoamericana de Exportadores de Servicios, ALES. Informações institucionais sobre missão, composição e atuação da entidade. Consultar ALES.

3. ALES, Diretório. Composição da diretoria, incluindo Lisandro Vieira como vice-presidente representando AEB / ACATE, Brasil. Consultar diretoria.

4. Javier Peña Capobianco, secretário-geral da ALES. Publicações sobre a origem da proposta em 2023, desenvolvimento com Joaquín Piña, aprovação dos primeiros sete termos e lançamento internacional em outubro de 2026. Consultar publicações.

5. Secretaria de Comércio Exterior / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números. Dados sobre exportações brasileiras, serviços entregáveis digitalmente e comércio mundial. Consultar painel oficial.

6. International Chamber of Commerce, ICC. Informações oficiais sobre os Incoterms, sua origem em 1936 e as 11 regras da edição Incoterms 2020. Consultar ICC.

7. Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, Confea. Resolução nº 1.147/2025, que fixa critérios e procedimentos para registro de ART relativa a obra ou serviço de atividade desenvolvida no exterior. Consultar resolução.

8. Lisandro Vieira / WTM. Publicações sobre a concepção dos Serviterms e seus objetivos em contratos internacionais de serviços. Consultar publicações.

Reportagem produzida pelo Engenharia Podcast com informações verificadas em 7 de outubro de 2026. A iniciativa Serviterms encontra-se em estágio inicial de adoção. Esta matéria possui caráter jornalístico e informativo e não substitui orientação jurídica, tributária, contábil ou profissional para operações internacionais.

Engenheiro Edson Gonçalves Martins
Análise editorial Engenheiro Edson Gonçalves Martins

Engenheiro de Produção, especialista em inteligência artificial aplicada, inovação e produtividade, fundador e CEO do Engenharia Podcast e fundador do EP Hub. Ver LinkedIn

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