O futuro do trabalho já começou: o que 92 milhões de empregos deslocados significam para a engenharia
Relatório do Fórum Econômico Mundial projeta saldo positivo de 78 milhões de vagas até 2030. No Brasil, sobram oportunidades e faltam profissionais preparados.
O que você precisa saber
- Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 92 milhões de empregos devem ser deslocados ou encerrados até 2030, enquanto 170 milhões de novas vagas podem surgir, um saldo positivo de 78 milhões.
- No Brasil, o desemprego ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026 e o país criou 921.645 empregos formais no primeiro semestre, mas cerca de 80% dos empregadores relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados.
- Engenheiro de inteligência artificial lidera a lista Empregos em Alta 2026 do LinkedIn no Brasil.
- 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030. O Engenharia Podcast identificou 6 habilidades que definem o profissional da nova engenharia.
Noventa e dois milhões. É o número de postos de trabalho que devem ser deslocados ou encerrados no mundo até 2030. O dado assusta, mas conta apenas metade da história do futuro do trabalho. No mesmo período, segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 170 milhões de novas vagas podem surgir. O resultado é um saldo positivo de 78 milhões de empregos.
A pergunta, portanto, não é se a inteligência artificial vai acabar com o trabalho. É outra, mais incômoda e mais útil: você está preparado para o trabalho que vai existir daqui para frente?
Em 2019, o mesmo relatório projetava 75 milhões de postos deslocados. De lá para cá, as pessoas trocaram de emprego, mudaram a forma de trabalhar e o home office passou a ser aceito. Agora, a nova variável é a inteligência artificial. O mercado não está desaparecendo. Está mudando de forma, e com velocidade.
O que diz o Future of Jobs Report 2025 sobre o futuro do trabalho?
O Future of Jobs Report 2025 é o relatório mais recente da série do Fórum Econômico Mundial sobre o mercado de trabalho. A pesquisa reuniu a visão de mais de 1.000 grandes empregadores que, juntos, representam mais de 14 milhões de trabalhadores, distribuídos em 22 setores da indústria e 55 economias.
Os números não são uma profecia. Eles representam a expectativa das próprias empresas para o período de 2025 a 2030 e, por isso, mostram com clareza a direção do mercado.
O dado mais amplo é este: o equivalente a 22% dos empregos formais atuais poderá ser impactado por transformações econômicas, tecnológicas, ambientais e demográficas até 2030. Não se trata de 22% de vagas eliminadas, e sim de funções que vão mudar. Estamos falando de uma transformação estrutural na maneira como as empresas produzem, contratam e organizam o trabalho.
Como está o mercado de trabalho no Brasil em 2026?
No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4%, segundo o IBGE. No primeiro semestre do ano, o país criou 921.645 empregos formais, de acordo com o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
| Setor | Saldo de empregos formais |
|---|---|
| Serviços | +571.926 |
| Construção | +168.962 |
| Indústria | +143.442 |
Há geração de emprego, mas também um problema evidente. Cerca de 80% dos empregadores relatam dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, principalmente nas áreas técnicas.
Por que sobram vagas e faltam profissionais?
O resultado é uma contradição que muitos profissionais conhecem de perto. As empresas dizem que precisam de gente qualificada. Os profissionais dizem que não encontram oportunidade. Quem já ouviu que era "qualificado demais" ou "fora do perfil" sabe do que se trata.
Existe trabalho, existe demanda e existem profissionais. O que falta, muitas vezes, é a conexão entre o que a vaga exige e o que o candidato consegue demonstrar.
Mais vagas não significam, automaticamente, salários maiores. Em junho de 2026, o salário médio de admissão no emprego formal brasileiro ficou em torno de R$ 2,4 mil. Quem quer crescer precisa olhar para onde existem três condições ao mesmo tempo: demanda, escassez de profissionais e capacidade de gerar resultado relevante.
Quais são as 5 forças que estão transformando o mercado de trabalho?
1. Inteligência artificial
Para 86% dos empregadores ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial, a inteligência artificial e as tecnologias de processamento de dados vão transformar seus negócios até 2030. E não estamos falando apenas de empresas de tecnologia. Finanças, logística, manutenção, engenharia, saúde, marketing, construção, energia, atendimento e gestão pública estão no mesmo movimento.
2. Automação e robótica
58% das empresas esperam ser transformadas por robôs ou sistemas autônomos até 2030. Isso não significa tirar as pessoas do processo. Significa que tarefas repetitivas passam cada vez mais para as máquinas, enquanto as pessoas ficam com julgamento, criatividade, relacionamento, segurança e tomada de decisão.
3. Transição energética
Os grandes data centers que sustentam a inteligência artificial já enfrentam limites de fornecimento de energia. Novas tecnologias de geração, armazenamento e distribuição abrem oportunidades em eficiência energética, fontes renováveis, veículos elétricos, sustentabilidade e adaptação climática.
4. Mudanças demográficas
O envelhecimento da população aumenta a procura por profissionais de saúde, enfermagem, cuidado, assistência social e bem-estar, e muda hábitos de consumo em setores inteiros, como o da alimentação.
5. Reorganização das cadeias produtivas
Conflitos, restrições comerciais e a busca por fornecedores mais seguros elevam a demanda por logística, cadeia de suprimentos, inteligência de negócios, segurança e planejamento estratégico.
Quais profissões mais crescem até 2030?
Entre as funções com crescimento percentual mais acelerado, a tecnologia domina: especialistas em big data, engenheiros de fintech, profissionais de inteligência artificial e machine learning, desenvolvedores de software, especialistas em cibersegurança e analistas de segurança da informação. Também aparecem engenheiros ambientais, engenheiros de energias renováveis, especialistas em veículos autônomos e elétricos e engenheiros de produção.
Há, porém, um detalhe que quase ninguém explica. Crescer mais em percentual não significa gerar mais vagas. Em números absolutos, o maior volume deve vir de trabalhadores do agronegócio, motoristas de entrega, profissionais da construção civil, vendedores, profissionais de saúde e enfermagem, professores, desenvolvedores de software, gerentes de operação e gerentes de projeto.
As vagas do futuro não estão apenas na programação. O que muda é que até as profissões tradicionais vão exigir capacidade digital e analítica.
Qual é o emprego em alta número 1 no Brasil em 2026?
O cargo de engenheiro de inteligência artificial aparece em primeiro lugar na lista Empregos em Alta 2026 do LinkedIn no Brasil, com oportunidades concentradas em São Paulo, Florianópolis e Recife. As competências mais associadas ao cargo incluem grandes modelos de linguagem e RAG, técnica que conecta a inteligência artificial a bases de conhecimento e documentos específicos de uma empresa.
A lista brasileira vai além da IA: engenharia de segurança de processos, confiabilidade, manutenção preditiva, produção e operações industriais, engenharia de produção, dados, cadeia de suprimentos, logística, energia, planejamento financeiro, custos, compliance e desenvolvimento de negócios.
Quais funções estão sendo transformadas pela automação?
As maiores quedas aparecem em atividades administrativas repetitivas, como operadores de caixa, digitadores, profissionais de entrada de dados, assistentes administrativos e atendentes bancários. Mas uma profissão é feita de muitas tarefas. Algumas serão automatizadas, outras serão ampliadas pela tecnologia e várias continuarão dependendo das pessoas.
O exemplo do contador ilustra bem. Quem apenas digita e confere informações tende a perder espaço rapidamente. Quem usa a tecnologia para analisar riscos, interpretar dados e apoiar decisões se torna ainda mais valioso.
Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho mostra que 1 em cada 4 trabalhadores no mundo está em uma ocupação com algum grau de exposição à IA generativa, mas só uma pequena parcela está na faixa de exposição mais elevada. A conclusão mais provável é a transformação das tarefas, e não a substituição total.
Quais habilidades o mercado vai exigir até 2030?
Segundo o Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030. O pensamento analítico segue como a competência mais valorizada. Entre as que mais crescem estão inteligência artificial e big data, redes e cibersegurança, fluência tecnológica, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, curiosidade e aprendizagem contínua, além de liderança, influência social, gestão de talentos e responsabilidade ambiental.
O mercado não está escolhendo entre habilidades técnicas e humanas. Está exigindo as duas. No Brasil, quase nove em cada dez empresas pesquisadas pretendem qualificar a própria força de trabalho, e 60% esperam valorizar mais a empatia e a escuta ativa.
A cada 100 trabalhadores, 59 vão precisar de algum tipo de treinamento até 2030: 29 para continuar na função atual, 19 para serem transferidos para uma nova função e 11 correm o risco de precisar de qualificação sem conseguir acesso a ela. Aprender continuamente deixou de ser diferencial e passou a fazer parte da própria empregabilidade.
Quais são as 6 habilidades da nova engenharia?
Ao reunir esses dados com a experiência de profissionais que estão crescendo na carreira, o Engenharia Podcast chegou a seis habilidades que definem o engenheiro do futuro.
1. Fluência digital
Usar ferramentas, plataformas e sistemas digitais para trabalhar melhor e acelerar resultados.
2. Dados e decisão
Não basta acumular informação. É preciso interpretar dados e transformá-los em decisões operacionais, financeiras e estratégicas.
3. IA aplicada
Nem todo engenheiro será desenvolvedor de inteligência artificial, mas praticamente todos precisarão saber usá-la para analisar, prever, criar e resolver problemas.
4. Automação e integração
Conectar processos, sistemas, equipamentos, informações e pessoas.
5. Segurança, ética e validação
Quanto mais tecnologia, maior a responsabilidade de proteger dados, avaliar riscos, verificar resultados e manter pessoas responsáveis pelas decisões.
6. Aplicação e transformação
Juntar tudo isso e transformar conhecimento em produtividade, qualidade, segurança, economia e resultado.
Onde estão as oportunidades para engenheiros?
Na prática, isso não significa abandonar a engenharia para virar programador. Significa ampliá-la. Na produção, é usar dados, inteligência artificial e automação para aumentar a eficiência e reduzir desperdícios. Na manutenção, é trabalhar com sensores, análise de falhas e manutenção preditiva. Em energia, qualidade, processos e segurança, a lógica é a mesma: conhecimento técnico somado às novas tecnologias.
Um primeiro passo concreto é escolher um problema real que você quer aprender a resolver, como reduzir falhas, prever demanda ou otimizar o consumo de energia, e aplicar as novas ferramentas a ele.
A disputa não é entre pessoas e máquinas
Engenheiro Edson Gonçalves MartinsEngenheiro de Produção e CEO do Engenharia Podcast
Os relatórios mostram a direção, mas quem vive o mercado de engenharia percebe a mudança no dia a dia. Empresas que antes contratavam apenas pelo diploma agora querem saber o que o profissional consegue entregar com as ferramentas disponíveis.
O mercado não remunera apenas aquilo que você sabe. Ele remunera aquilo que você consegue transformar em resultado.
O futuro do trabalho será uma disputa entre profissionais que aprendem a trabalhar com a tecnologia e profissionais que continuam executando tarefas que a tecnologia já consegue realizar.
O mercado continuará precisando de engenheiros, mas de engenheiros mais digitais, mais analíticos, mais estratégicos e mais preparados para transformar conhecimento em resultado. É essa a nova engenharia.
Aprenda a aplicar a inteligência artificial no seu trabalho
Na comunidade Inteligência Produtiva com Inteligência Artificial, o Engenheiro Edson Gonçalves Martins mostra, com teoria e prática, como usar a IA no trabalho e nos negócios, com encontros semanais e mensais ao vivo, tira-dúvidas e conteúdo gravado.
Conhecer a comunidadePerguntas frequentes sobre o futuro do trabalho
A inteligência artificial vai acabar com os empregos?
Não é o que mostram os dados. O Fórum Econômico Mundial projeta 92 milhões de empregos deslocados e 170 milhões de novas vagas até 2030, um saldo positivo de 78 milhões. A tendência é a transformação das tarefas, e não a substituição total das profissões.
Quais profissões mais crescem até 2030?
Em crescimento percentual, lideram especialistas em big data, engenheiros de fintech, profissionais de inteligência artificial e machine learning, desenvolvedores de software e especialistas em cibersegurança. Em número absoluto de vagas, destacam-se agronegócio, construção, logística, saúde, educação, software, operações e gestão de projetos.
Qual é o emprego em alta número 1 no Brasil em 2026?
Engenheiro de inteligência artificial, primeiro lugar da lista Empregos em Alta 2026 do LinkedIn no Brasil, com oportunidades concentradas em São Paulo, Florianópolis e Recife.
Quais são as 6 habilidades da nova engenharia?
Fluência digital, dados e decisão, IA aplicada, automação e integração, segurança, ética e validação, e aplicação e transformação.
Quantas habilidades profissionais devem mudar até 2030?
Segundo o Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030, e 59 em cada 100 trabalhadores vão precisar de algum tipo de treinamento.
O que fazer agora?
O futuro do trabalho não é uma ameaça distante. Ele já está nas vagas abertas, nos relatórios das empresas e nas exigências dos processos seletivos. A boa notícia é que a engenharia está no centro dessa transformação, e quem combinar técnica, dados, inteligência artificial, automação, segurança e visão de negócio terá as melhores oportunidades.
Das 6 habilidades da nova engenharia, qual você já domina e qual ainda precisa desenvolver? Comente no vídeo e conte para a gente.
A nova engenharia já começou.
Fontes e referências
1. World Economic Forum. Future of Jobs Report 2025. Dados globais sobre empregos deslocados, vagas criadas, habilidades e requalificação até 2030. Consultar relatório.
2. IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), 2º trimestre de 2026. Taxa de desemprego.
3. Ministério do Trabalho e Emprego. Novo Caged, 1º semestre e junho de 2026. Saldo de empregos formais por setor e salário médio de admissão.
4. LinkedIn. Empregos em Alta 2026, edição Brasil.
5. Organização Internacional do Trabalho (OIT). Estudo sobre a exposição das ocupações à inteligência artificial generativa, 2025.
6. Imagens. Foto de capa: Simon Kadula / Unsplash. Energia: Frank Köster-Düpree / Unsplash. Logística: CHUTTERSNAP / Unsplash. Imagens de uso livre pela Licença Unsplash.
Esta matéria tem caráter informativo e é baseada no vídeo do Engenharia Podcast sobre o futuro do trabalho. Informações verificadas em 4 de outubro de 2026.