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Concreto feito de fezes humanas fica até 42% mais resistente? Entenda o estudo científico

Pesquisadores desenvolveram um concreto utilizando biocarvão produzido a partir de resíduos humanos tratados. O material apresentou ganhos de resistência em laboratório e abre novas possibilidades para a construção civil sustentável.

Por Engenharia Podcast 20 de setembro de 2026 Engenharia Civil Leitura aproximada: 9 minutos
Concreto feito de fezes humanas: estudo investiga biocarvão de lodo fecal como substituto parcial do cimento
Imagem de capa: Engenharia Podcast. Representação editorial da pesquisa sobre concreto produzido com biocarvão derivado de lodo fecal humano.
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Como resíduos humanos tratados podem se transformar em matéria-prima para a construção civil? Ouça o episódio do Engenharia Podcast e descubra como funciona essa tecnologia, o que os resultados da pesquisa revelam e quais são os desafios para sua aplicação em obras reais.

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Imagine transformar resíduos provenientes de banheiros e sistemas de saneamento em matéria-prima para a construção civil. Essa possibilidade está sendo investigada por pesquisadores que desenvolveram um concreto utilizando um material produzido a partir de fezes humanas tratadas.

Um estudo publicado em 5 de setembro de 2026, na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, demonstrou que a substituição parcial do cimento por biocarvão derivado de lodo fecal humano pode melhorar propriedades mecânicas do concreto.

Nos ensaios realizados pelos pesquisadores, uma formulação com substituição de 10% do cimento por biocarvão apresentou um aumento de 21% na resistência à compressão e de 42% na resistência à flexão, após 91 dias de cura, em comparação com o concreto utilizado como referência no experimento.

Os resultados despertam interesse por conectar diferentes desafios da engenharia: o tratamento de resíduos sanitários, a fabricação de materiais de construção, o consumo de cimento e a busca por processos industriais mais sustentáveis.

Mas existe uma diferença importante entre a manchete e o procedimento científico: os pesquisadores não misturaram fezes humanas diretamente ao concreto.

O resíduo foi previamente tratado e transformado em um material sólido rico em carbono, conhecido como biocarvão ou biochar, que posteriormente foi incorporado à mistura cimentícia.

A pesquisa, intitulada Mechanical, durability, and microstructural performance of biochar-modified concrete using faecal sludge-derived biochar, foi realizada por Raghuvesh Tiwari, Priyansha Mehra, Shaik Hussain e Sanchit Anand.

O artigo científico está disponível em acesso aberto na revista Scientific Reports.

O que você precisa saber

  • O concreto estudado utiliza biocarvão produzido a partir de lodo fecal humano previamente tratado.
  • O material foi utilizado para substituir parcialmente o cimento empregado na fabricação do concreto.
  • A formulação com 10% de substituição apresentou ganhos de 21% na resistência à compressão e 42% na resistência à flexão após 91 dias.
  • A tecnologia ainda está em fase experimental e não representa uma aprovação para uso comercial em edifícios, pontes ou outras estruturas.
  • A pesquisa apresenta possibilidades de aproveitamento de resíduos sanitários e redução do consumo de cimento, mas exige estudos adicionais de durabilidade, segurança e viabilidade ambiental.
42% Aumento da resistência à flexão na mistura experimental com 10% de biocarvão após 91 dias.
21% Aumento da resistência à compressão na mesma formulação e período de cura.
10% Proporção de cimento substituída por biocarvão na formulação que apresentou esses resultados.
91 dias Período de cura correspondente aos ganhos de resistência destacados no estudo.
O que significa o resultado?

O aumento de 42% corresponde especificamente à resistência à flexão de uma formulação experimental. Isso não significa que qualquer concreto produzido com resíduos humanos será 42% mais resistente, nem que estruturas construídas com esse material terão automaticamente sua capacidade de carga aumentada nessa proporção.

O que é o concreto feito de fezes humanas?

O chamado concreto feito de fezes humanas é um material experimental que incorpora biocarvão obtido a partir de lodo fecal humano.

Esse lodo é proveniente de sistemas sanitários e de instalações responsáveis pela coleta e pelo tratamento de resíduos, como aqueles originados em fossas sépticas.

Em vez de utilizar o resíduo diretamente, os pesquisadores empregaram um material produzido após seu processamento térmico.

O biocarvão é um produto sólido rico em carbono, obtido por meio da transformação térmica de matéria orgânica em condições de disponibilidade limitada de oxigênio.

Depois de preparado, esse material pode ser utilizado como componente de diferentes formulações experimentais.

No estudo publicado na Scientific Reports, o biocarvão foi incorporado ao concreto para substituir parcialmente o cimento Portland.

O cimento é o material aglomerante que participa das reações responsáveis pelo endurecimento do concreto. Já o concreto convencional é uma mistura composta principalmente por cimento, água e agregados, como areia e brita.

Portanto, não se trata de substituir todos os componentes do concreto por resíduos humanos. A pesquisa investiga a utilização do biocarvão como substituto parcial do cimento.

Exemplo ilustrativo de biocarvão, material rico em carbono investigado como componente de misturas cimentícias
Biocarvão. Fotografia ilustrativa de um material da mesma categoria, não correspondente ao biocarvão de lodo fecal utilizado no estudo. Foto: K.salo.85, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0. Fonte e licença da imagem.

Como os pesquisadores transformaram fezes humanas em concreto?

A transformação do resíduo sanitário em um material que pode ser incorporado ao concreto envolve diferentes etapas de processamento.

O biocarvão utilizado no estudo foi obtido a partir de lodo fecal coletado em uma unidade de tratamento localizada em Warangal, na Índia.

O resíduo passa por procedimentos de tratamento e processamento térmico que modificam suas características físicas e químicas.

Esse processamento permite obter um material muito diferente do lodo fecal original.

01
Coleta e tratamento do resíduo

O lodo fecal é recebido em uma instalação de tratamento de resíduos sanitários e preparado para seu processamento.

02
Transformação térmica

O resíduo é submetido a um processo térmico, conhecido como pirólise, no qual a matéria orgânica é transformada em um produto sólido rico em carbono.

03
Obtenção do biocarvão

O material resultante apresenta características diferentes das do resíduo original e pode ser preparado para utilização em misturas cimentícias.

04
Preparação do concreto

O biocarvão é incorporado à formulação experimental para substituir uma parte da massa de cimento.

05
Moldagem e ensaios

Os corpos de prova são preparados, curados e submetidos a avaliações de resistência mecânica, absorção de água, porosidade e outras propriedades.

A etapa de tratamento é fundamental para a proposta tecnológica. Não seria tecnicamente correto afirmar que a simples mistura de fezes humanas com cimento produziria o mesmo resultado.

Além disso, a utilização industrial de resíduos dessa natureza exige controle da composição do material, avaliação de contaminantes e comprovação de segurança para a aplicação pretendida.

Concreto feito de fezes humanas é realmente mais resistente?

Os resultados experimentais apresentados pelos pesquisadores indicam que determinadas proporções de biocarvão podem melhorar as propriedades mecânicas do concreto.

Para investigar esse comportamento, o estudo avaliou formulações com diferentes proporções de substituição do cimento por biocarvão.

As misturas experimentais foram comparadas com uma formulação de referência, preparada sem a incorporação do material.

Entre as propriedades avaliadas estão a resistência à compressão, a resistência à flexão, a absorção de água, a porosidade e a retração por secagem.

Os pesquisadores também investigaram características microestruturais do concreto para compreender como a incorporação do biocarvão influencia seu comportamento.

Resistência à compressão aumentou 21%

A resistência à compressão representa a capacidade do concreto de suportar esforços que tendem a comprimir o material.

Essa propriedade é importante para o dimensionamento e o controle tecnológico de diferentes elementos de concreto.

Na formulação experimental com 10% de substituição do cimento por biocarvão, os pesquisadores registraram um aumento de 21% na resistência à compressão após 91 dias de cura.

Ensaio de resistência à compressão realizado em corpo de prova de concreto em laboratório
Exemplo ilustrativo de ensaio de compressão em corpo de prova de concreto. A fotografia não pertence à pesquisa sobre biocarvão de lodo fecal. Imagem: Xb-70, Wikimedia Commons, domínio público. Fonte da imagem.

Resistência à flexão aumentou 42%

A resistência à flexão está relacionada à capacidade de um material resistir aos esforços de dobramento antes da ruptura.

Nos ensaios realizados pelos pesquisadores, a formulação com 10% de substituição do cimento apresentou um aumento de 42% nessa propriedade após 91 dias de cura.

Esse foi um dos resultados de maior destaque da publicação científica.

Entretanto, é necessário interpretar corretamente o dado. O aumento foi observado em uma propriedade mecânica específica, em condições controladas de laboratório.

A capacidade resistente de uma estrutura real depende de diversos fatores adicionais, como geometria, armaduras, dimensionamento, execução, materiais empregados e condições ambientais.

Entenda os números

O resultado de 42% se refere à resistência à flexão, enquanto o aumento de 21% corresponde à resistência à compressão. Ambos foram registrados na formulação experimental com 10% de biocarvão após 91 dias de cura.

Qual é a proporção de fezes humanas utilizada no concreto?

O estudo investigou a substituição de parte do cimento por biocarvão de lodo fecal em diferentes proporções.

As formulações analisadas incluíram substituições de 5%, 10% e 15% da massa de cimento.

Essas porcentagens correspondem ao biocarvão incorporado à mistura em substituição ao cimento, e não à quantidade de fezes humanas in natura presente no concreto.

Substituição do cimento O que foi observado
0% Formulação convencional utilizada como referência experimental.
5% Uma das proporções que apresentaram melhorias em propriedades avaliadas pelos pesquisadores.
10% Formulação que apresentou ganhos de 21% na resistência à compressão e 42% na resistência à flexão após 91 dias.
15% Formulação que também foi investigada. Após 28 dias, apresentou valores de absorção de água e porosidade comparáveis aos da mistura de referência.

Os resultados mostram que a dosagem é uma variável importante no desenvolvimento de novos materiais cimentícios.

A incorporação de um componente alternativo precisa considerar seu efeito sobre diferentes propriedades do concreto, e não apenas a quantidade de cimento substituída.

Por que o biocarvão pode melhorar a resistência do concreto?

O comportamento do concreto depende de processos físicos e químicos que ocorrem durante a mistura, o endurecimento e a cura.

A incorporação de partículas de biocarvão pode modificar a estrutura interna da matriz cimentícia e influenciar o desenvolvimento de determinadas propriedades.

A pesquisa investigou esse comportamento por meio de ensaios mecânicos e análises microestruturais.

Retenção de água e cura interna

O biocarvão pode apresentar uma estrutura porosa capaz de absorver água.

Dependendo das características do material e das condições de mistura, essa água pode contribuir para a continuidade das reações de hidratação do cimento.

Esse mecanismo está associado ao conceito de cura interna, que busca favorecer o desenvolvimento das propriedades do material durante o processo de endurecimento.

Alterações na microestrutura

As partículas de biocarvão também podem modificar a distribuição dos poros e o preenchimento dos espaços existentes na matriz cimentícia.

A influência dessas partículas depende de fatores como tamanho, composição, porosidade, proporção utilizada e interação com os demais componentes da mistura.

Interação com os produtos de hidratação

O estudo também avaliou características relacionadas à atividade pozolânica do biocarvão e à formação dos produtos de hidratação do cimento.

Essas análises ajudam a compreender como a substituição parcial do cimento pode influenciar o desenvolvimento da resistência mecânica.

Os mecanismos não devem ser generalizados para qualquer biocarvão. Materiais obtidos de diferentes resíduos podem apresentar composições e comportamentos distintos.

O concreto produzido com fezes humanas é sustentável?

A fabricação do cimento Portland exige energia e envolve processos industriais que liberam dióxido de carbono.

Uma parcela relevante dessas emissões está associada à transformação do calcário durante a produção do clínquer, componente utilizado na fabricação do cimento.

Por esse motivo, a indústria e a comunidade científica investigam materiais que possam substituir parcialmente o cimento sem comprometer as propriedades necessárias para cada aplicação.

O biocarvão produzido a partir de resíduos sanitários apresenta duas possibilidades ambientais.

A primeira é permitir o aproveitamento de um resíduo que normalmente exigiria tratamento e destinação final.

A segunda é reduzir a quantidade de cimento empregada em determinadas formulações de concreto.

Essa combinação se relaciona ao conceito de economia circular, no qual resíduos provenientes de uma atividade podem ser aproveitados como matéria-prima em outra cadeia produtiva.

A engenharia pode transformar um problema de saneamento em uma possibilidade de inovação para a construção civil.

Entretanto, é importante diferenciar o potencial ambiental da comprovação efetiva de sustentabilidade.

O processamento do lodo fecal exige equipamentos, energia, transporte e controle operacional.

Para demonstrar a redução real do impacto ambiental, seria necessário avaliar todo o ciclo de vida do material, incluindo o tratamento do resíduo, a produção do biocarvão, a fabricação do concreto, sua utilização e sua destinação final.

Os ganhos mecânicos registrados no estudo não demonstram, isoladamente, uma redução específica nas emissões de carbono do processo produtivo.

Onde esse concreto poderia ser utilizado na construção civil?

Os resultados da pesquisa abrem caminho para investigações sobre o aproveitamento do biocarvão de lodo fecal em diferentes materiais e componentes de concreto.

Entre as possibilidades que poderiam ser estudadas estão blocos, peças pré-moldadas, componentes para pavimentação e outros produtos fabricados com misturas cimentícias.

Essas aplicações são possibilidades de desenvolvimento tecnológico, e não utilizações comerciais já comprovadas pelo estudo.

Para uma eventual aplicação estrutural em edifícios, pontes, vigas, pilares ou lajes, seriam necessárias avaliações mais abrangentes de resistência, durabilidade, compatibilidade com armaduras e comportamento ao longo da vida útil.

Também seria necessário demonstrar o atendimento às normas técnicas e às exigências de segurança aplicáveis a cada tipo de obra.

A tecnologia já está sendo utilizada em obras?

A pesquisa apresenta resultados de laboratório. Ela não comprova que o concreto produzido com biocarvão de lodo fecal esteja aprovado para utilização comercial em estruturas. Ensaios adicionais e validação técnica são necessários antes de qualquer aplicação dessa natureza.

Quais são os desafios para transformar a pesquisa em uma tecnologia comercial?

A passagem de um resultado experimental para a aplicação industrial envolve desafios que precisam ser avaliados de maneira integrada.

1. Padronização do biocarvão

O lodo produzido em diferentes instalações sanitárias pode apresentar variações de composição.

É necessário investigar como essas diferenças influenciam as características do biocarvão e o desempenho das misturas cimentícias.

2. Segurança ambiental

A utilização de resíduos tratados exige controle de possíveis contaminantes e avaliação das condições de segurança do material.

A pesquisa realizou análises relacionadas a metais pesados, mas a aplicação comercial exigiria comprovação de segurança compatível com o uso pretendido e com a origem do resíduo.

3. Durabilidade

O concreto precisa apresentar desempenho adequado durante sua vida útil.

Por isso, é necessário investigar seu comportamento diante de umidade, variações de temperatura, agentes químicos e outras condições ambientais.

4. Produção em escala industrial

O processamento do lodo fecal deve ser avaliado quanto à capacidade de produção, aos custos operacionais, ao consumo energético e à logística de fornecimento.

Uma formulação que apresenta bom desempenho em laboratório não será necessariamente viável em escala comercial.

5. Controle tecnológico e normas técnicas

A utilização de novos materiais na construção civil exige critérios definidos de qualidade e desempenho.

Para uma aplicação no Brasil, seria necessário verificar as exigências normativas e ambientais pertinentes, além de desenvolver procedimentos adequados de caracterização, dosagem, produção e controle do material.

O que essa pesquisa representa para a engenharia brasileira?

O desenvolvimento de materiais de construção a partir de resíduos sanitários demonstra como diferentes áreas da engenharia podem atuar de maneira integrada.

A engenharia sanitária e ambiental participa do tratamento dos resíduos e da avaliação de seus impactos.

A engenharia civil e a ciência dos materiais investigam o comportamento das misturas cimentícias e suas possíveis aplicações.

A engenharia de produção contribui com o desenvolvimento dos processos industriais, a padronização, o controle de qualidade, a logística e a análise de viabilidade econômica.

Essa integração pode abrir possibilidades para universidades, centros de pesquisa, indústrias de materiais de construção, concreteiras e empresas de saneamento.

No Brasil, uma eventual adaptação da tecnologia dependeria de estudos com resíduos disponíveis localmente e de análises que considerassem as características dos materiais empregados nas misturas.

Também seria necessário investigar a viabilidade de integrar unidades de tratamento de resíduos às cadeias de fornecimento da indústria de construção civil.

Engenheiro Edson Gonçalves Martins
Visão do especialista

Transformar resíduos em materiais de construção exige integrar diferentes engenharias

Eng. Edson Gonçalves Martins, especialista em inovação, inteligência artificial e produtividade

Um dos aspectos mais interessantes dessa pesquisa é a possibilidade de conectar áreas que normalmente são analisadas de maneira separada: saneamento, ciência dos materiais, construção civil e processos industriais.

O aproveitamento de resíduos como matéria-prima exige muito mais do que identificar uma aplicação experimental.

É necessário desenvolver um processo capaz de produzir o material com qualidade constante, desempenho comprovado, segurança e viabilidade econômica.

Para a engenharia de produção, isso envolve planejamento, controle de qualidade, produtividade, logística, padronização e análise de custos.

Para a engenharia civil, o desafio é investigar como novos materiais podem contribuir para o desenvolvimento de soluções construtivas sem comprometer os requisitos de desempenho e segurança.

A inovação não está apenas em criar novos materiais, mas também em descobrir como transformar recursos existentes em soluções para problemas reais.

O resultado apresentado pelos pesquisadores ainda precisa avançar em direção à validação técnica e industrial.

Mas o estudo demonstra uma possibilidade importante: a integração entre diferentes áreas da engenharia pode transformar um problema de gestão de resíduos em uma oportunidade de desenvolvimento tecnológico.

É esse tipo de conexão entre conhecimento técnico, inovação e aplicação prática que caracteriza a Nova Engenharia.

A nova engenharia já começou.

Perguntas frequentes sobre o concreto feito de fezes humanas

É possível fabricar concreto com fezes humanas?

Sim. Pesquisadores investigaram a utilização de biocarvão produzido a partir de lodo fecal humano previamente tratado como substituto parcial do cimento na fabricação de concreto. O resíduo não foi incorporado diretamente à mistura.

O concreto feito de fezes humanas é 42% mais resistente?

Uma formulação experimental com substituição de 10% do cimento por biocarvão apresentou resistência à flexão 42% superior à da mistura de referência após 91 dias de cura. Na mesma condição, a resistência à compressão aumentou 21%.

Como as fezes humanas são transformadas em concreto?

O lodo fecal é tratado e processado termicamente para obtenção de biocarvão. Esse material pode ser preparado e incorporado à mistura de concreto para substituir parcialmente o cimento.

Esse concreto já pode ser utilizado para construir casas?

O estudo apresenta resultados experimentais de laboratório e não demonstra aprovação para uso comercial em edificações. Aplicações reais exigem ensaios adicionais, validação técnica e atendimento às normas pertinentes.

O biocarvão substitui totalmente o cimento?

Não. A pesquisa investigou substituições parciais do cimento. A formulação que apresentou os ganhos de resistência destacados utilizou 10% de biocarvão em substituição à massa de cimento.

O concreto com biocarvão é mais sustentável?

O aproveitamento do biocarvão pode reduzir o consumo de cimento e permitir a utilização de resíduos sanitários. Entretanto, os benefícios ambientais efetivos dependem das condições de produção e precisam ser demonstrados por avaliações apropriadas do ciclo de vida.

Quem desenvolveu o estudo sobre concreto feito de fezes humanas?

A pesquisa foi publicada por Raghuvesh Tiwari, Priyansha Mehra, Shaik Hussain e Sanchit Anand na revista Scientific Reports, em 5 de setembro de 2026.

O futuro do concreto pode começar no tratamento de resíduos

A pesquisa sobre concreto produzido com biocarvão derivado de lodo fecal humano apresenta uma possibilidade de integração entre saneamento, ciência dos materiais e construção civil.

Ao substituir parcialmente o cimento por um material obtido a partir de resíduos tratados, os pesquisadores observaram melhorias em propriedades mecânicas de determinadas formulações.

Os ganhos de 21% na resistência à compressão e 42% na resistência à flexão após 91 dias representam resultados experimentais importantes, mas não encerram o processo de desenvolvimento tecnológico.

A próxima etapa envolve investigar a durabilidade, a segurança, a padronização e a viabilidade industrial do material.

Caso essas questões sejam superadas, o aproveitamento de resíduos sanitários poderá contribuir para o desenvolvimento de novas soluções em materiais de construção.

A pesquisa demonstra que o futuro da engenharia também pode depender da capacidade de encontrar novas aplicações para recursos que atualmente representam desafios ambientais e operacionais.

Fontes e referências científicas

1. Estudo científico original. Raghuvesh Tiwari, Priyansha Mehra, Shaik Hussain e Sanchit Anand. Mechanical, durability, and microstructural performance of biochar-modified concrete using faecal sludge-derived biochar. Scientific Reports, 5 de setembro de 2026.

DOI: 10.1038/s41598-026-66956-6 .

Acessar a publicação científica completa na Scientific Reports .

2. Pesquisa complementar sobre o aproveitamento de lodo fecal. Resource recovery and biochar characteristics from full-scale faecal sludge treatment and co-treatment with agricultural waste. Water Research, 2019.

Consultar a pesquisa sobre a produção de biocarvão a partir de lodo fecal .

3. Imagens ilustrativas. As fotografias complementares utilizadas nesta matéria são provenientes do Wikimedia Commons. As informações de autoria, origem e licenciamento estão indicadas nas respectivas legendas.

Engenheiro Edson Gonçalves Martins
Análise editorial Eng. Edson Gonçalves Martins

Engenheiro de Produção, especialista em Inteligência Artificial aplicada, inovação e produtividade, fundador e apresentador do Engenharia Podcast. Ver LinkedIn.

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