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Desemprego jovem sobe com pressão da IA, Foxconn acelera servidores e Ryanair automatiza operações

As principais notícias de 12 de agosto de 2026 mostram duas forças acontecendo ao mesmo tempo: a inteligência artificial aumenta a pressão sobre algumas funções de entrada no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, cria demanda por engenharia, data centers, automação e infraestrutura.

Por Eng. Edson Gonçalves Martins · Engenharia Podcast · Publicado em 12 de agosto de 2026

O que você precisa saber hoje

  • Emprego: o desemprego global entre jovens de 15 a 24 anos subiu para 12,4%, equivalente a 67 milhões de pessoas.
  • IA e carreira: a OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados por pessoas de 15 a 29 anos estão nas ocupações mais expostas às mudanças relacionadas à inteligência artificial.
  • Indústria: cloud e networking, categoria que inclui servidores de IA, responderam por 51% da receita trimestral da Foxconn.
  • Operações: a Ryanair vai utilizar Gemini e modelos do Google DeepMind em escala de tripulação, manutenção e decisões operacionais.
  • Infraestrutura: a CoreWeave elevou sua previsão de investimentos para uma faixa entre US$ 35 bilhões e US$ 39 bilhões em 2026.

O principal sinal do dia é que inteligência artificial e mercado de trabalho não podem mais ser analisados separadamente. Algumas funções de entrada ficam mais expostas, enquanto ciência, engenharia, saúde, tecnologia, data centers e infraestrutura continuam abrindo novas frentes de demanda.

12,4%

Desemprego jovem

Taxa global entre pessoas de 15 a 24 anos em 2025, segundo a Organização Internacional do Trabalho.

51%

Foxconn e IA

Participação de cloud e networking, incluindo servidores de IA, na receita do segundo trimestre.

US$ 39 bi

CoreWeave

Limite superior da nova projeção de investimento da companhia para 2026.

1. O desemprego jovem voltou a subir e a IA entra no centro da discussão

A Organização Internacional do Trabalho informou que a taxa global de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos subiu para 12,4% em 2025, equivalente a 67 milhões de pessoas.

A proporção de jovens que não estudam, não trabalham e não estão em treinamento também chegou a 20%, representando mais de 257 milhões de pessoas.

A OIT chama atenção para a redução de vagas de qualificação intermediária, incluindo funções administrativas, comerciais e de manufatura que tradicionalmente funcionaram como porta de entrada para jovens no mercado de trabalho.

A inteligência artificial pode aumentar essa pressão. A agência estima que 6,1% dos empregos atualmente ocupados por pessoas de 15 a 29 anos estão nas ocupações mais expostas às mudanças relacionadas à IA.

Ao mesmo tempo, empregos de maior qualificação em ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação continuam crescendo em grande parte dos países.

A discussão não é apenas quantos empregos a IA elimina. A questão é quais portas de entrada desaparecem e quais novas competências passam a abrir portas.

O que isso significa para quem está começando a carreira?

A tendência aumenta o valor de experiência prática, domínio técnico, capacidade de usar IA e contato com problemas reais.

O profissional que combina formação com projetos, estágio, portfólio, ferramentas digitais e entendimento do setor pode se diferenciar em um mercado no qual funções genéricas de entrada ficam mais pressionadas.

Fonte: Reuters e Organização Internacional do Trabalho

2. Servidores de IA já mudaram o centro de gravidade da Foxconn

A Foxconn registrou crescimento de 35% no lucro líquido do segundo trimestre, alcançando T$ 59,97 bilhões, aproximadamente US$ 1,86 bilhão.

O resultado ficou acima da expectativa média de analistas consultados pela LSEG.

O dado mais simbólico está na composição da receita.

A divisão de cloud e networking, que inclui servidores de inteligência artificial, respondeu por 51% da receita do trimestre, superando 50% pela primeira vez.

Eletrônicos inteligentes de consumo, categoria que inclui iPhones, representaram 29%.

A companhia também prepara a produção em massa de racks baseados na nova geração Nvidia Vera Rubin e prevê aumento de 30% nos investimentos de capital em 2026.

Um dos limites de crescimento pode estar na disponibilidade de capacidade de empacotamento avançado de chips, especialmente a tecnologia CoWoS.

Por que isso importa para a engenharia?

Uma das maiores fabricantes do mundo está vendo infraestrutura de IA ganhar peso central em seu negócio.

Isso amplia demanda por semicondutores, placas, redes, energia, refrigeração, automação, instalações industriais, qualidade, manufatura e logística.

Fonte: Reuters, 12 de agosto de 2026

3. Ryanair leva Gemini e DeepMind para dentro da operação aérea

A Ryanair anunciou uma parceria de cinco anos com o Google Cloud e pretende disponibilizar Google Workspace e serviços de nuvem para aproximadamente 35 mil funcionários.

A companhia pretende usar Gemini Enterprise para desenvolver agentes de inteligência artificial capazes de automatizar algumas decisões, melhorar escalas de tripulação e reduzir interrupções operacionais.

Modelos do Google DeepMind, incluindo AlphaEvolve e WeatherNext, também deverão apoiar operações de frota e programação de manutenção.

A Ryanair continuará utilizando Amazon Web Services em uma estratégia de duas nuvens, buscando maior resiliência e redução do risco de indisponibilidade tecnológica.

A IA está saindo do chatbot e entrando nos processos em que disponibilidade, planejamento, manutenção e confiabilidade realmente importam.

Fonte: Reuters, 11 de agosto de 2026

4. CoreWeave aumenta investimentos para até US$ 39 bilhões

A CoreWeave elevou sua previsão de investimentos de capital para 2026 para uma faixa entre US$ 35 bilhões e US$ 39 bilhões.

A projeção anterior estava entre US$ 31 bilhões e US$ 35 bilhões.

A companhia, especializada em capacidade de cloud para inteligência artificial, informou backlog de US$ 104,2 bilhões no segundo trimestre.

A empresa também afirmou que sua capacidade de curto prazo está praticamente vendida.

Entre os clientes citados estão Microsoft, Meta, Anthropic e Caterpillar.

O movimento reforça uma das principais tendências para a engenharia nesta década.

A expansão da inteligência artificial exige uma economia física de data centers, geração e distribuição de energia, redes, refrigeração, sistemas elétricos, equipamentos e operação de infraestrutura crítica.

Fonte: Reuters, 11 de agosto de 2026

5. Coreia do Sul escolhe tecnologias estratégicas para os próximos 10 a 20 anos

A Coreia do Sul apresentou a iniciativa Seven Major SEED, uma estratégia nacional que inclui:

  • pequenos reatores modulares;
  • fusão nuclear;
  • energias renováveis avançadas;
  • computação quântica;
  • espaço e aviação;
  • biotecnologia avançada;
  • minerais e materiais críticos.

Entre as metas estão desenvolver um processador quântico doméstico de 100 qubits até 2029 e realizar um pouso lunar em 2030.

O país também pretende comercializar pequenos reatores modulares desenvolvidos internamente até 2035.

A estratégia prevê ainda investimento de 10 trilhões de won em materiais, peças e equipamentos até 2030.

O ponto estratégico está no modelo de política industrial.

Tecnologias de longo prazo são tratadas como ativos nacionais conectados a ciência, energia, cadeia produtiva, formação de profissionais, investimento e segurança econômica.

Fonte: Reuters, 12 de agosto de 2026

O movimento por trás das notícias

As notícias de hoje apontam para duas transformações simultâneas.

A primeira acontece no trabalho: algumas funções intermediárias e de entrada ficam mais expostas à automação.

A segunda acontece na infraestrutura: empresas investem volumes crescentes em servidores, data centers, chips, redes e sistemas físicos necessários para sustentar inteligência artificial.

Para profissionais, isso muda a pergunta.

Em vez de perguntar apenas se a IA vai substituir empregos, faz mais sentido identificar quais problemas ainda exigem conhecimento técnico, integração, decisão, responsabilidade e atuação no mundo físico.

É justamente aí que engenharia, indústria e tecnologia voltam a se encontrar.

Três vagas do dia no LinkedIn

As páginas abaixo apareciam com opção de candidatura ou listadas como contratação ativa durante a apuração. Processos seletivos podem ser alterados ou encerrados a qualquer momento.

01

Microsoft · Electrical Engineer, Data Center

Campinas, SP · Presencial

A vaga está ligada à infraestrutura crítica dos data centers da Microsoft.

Entre os requisitos aparecem formação em engenharia elétrica ou área relacionada, experiência técnica e inglês.

Engenharia elétrica Data center Infraestrutura
Ver vaga no LinkedIn
02

Google · Data Center Technician II

São Paulo e Região · Tempo integral

A função envolve servidores, Linux, redes, diagnóstico, reparo de componentes e manutenção preventiva.

Linux Servidores Redes
Ver vaga no LinkedIn
03

Pronto · Engenheiro de Robótica

Nova Lima, MG · Tempo integral

A oportunidade trabalha com caminhões autônomos em ambientes de mineração.

A empresa busca conhecimentos em Linux, Python ou C/C++, debugging de sistemas embarcados e inglês avançado.

Robótica Veículos autônomos Python / C++
Ver vaga no LinkedIn

Três ações práticas para hoje

  • Compare portas de entrada: procure cinco vagas júnior e cinco vagas plenas na sua área. Identifique quais tarefas desaparecem e quais competências passam a aparecer nos cargos mais avançados.
  • Estude infraestrutura de IA: se você atua em elétrica, mecânica, civil, produção, automação ou TI, entenda a arquitetura de um data center e identifique onde sua especialidade entra na cadeia.
  • Use IA em um processo real: escolha manutenção, escala, planejamento, inspeção ou logística e mapeie onde inteligência artificial poderia apoiar decisões sem retirar controles humanos essenciais.

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Perguntas frequentes sobre IA, emprego e engenharia

A inteligência artificial já está afetando o emprego dos jovens?

A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados por pessoas de 15 a 29 anos estão nas ocupações mais expostas a mudanças relacionadas à IA. O impacto líquido ainda é incerto e outros fatores, como crescimento econômico fraco e criação lenta de empregos, também influenciam o mercado.

Quais áreas continuam crescendo apesar da automação?

Segundo a OIT, empregos de maior qualificação em ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação continuam crescendo em grande parte dos países.

Por que servidores de IA são importantes para a Foxconn?

Porque cloud e networking, categoria que inclui servidores de IA, responderam por 51% da receita do segundo trimestre, mostrando uma mudança importante na composição do negócio da companhia.

Por que data centers criam oportunidades para engenheiros?

Data centers exigem energia, sistemas elétricos, refrigeração, construção, automação, redes, manutenção e operação de infraestrutura crítica. Por isso, o avanço da IA cria demanda fora das áreas tradicionais de software.

Fontes desta edição

EP

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Radar da Nova Engenharia · 12 de agosto de 2026

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